[vc_row][vc_column][vc_column_text]Em temporada de lançamento de coleções, vemos mais uma vez a discussão do uso dos processos artesanais da indústria da moda. E vem a pergunta: onde está a responsabilidade social dessas empresas?

Todos que trabalham no setor cultural sabem da importância e relevância do artesanato. Sabem da multiplicidade de técnicas e seus valores técnicos e culturais. Sabem também que a trajetória do artesanato no Brasil passa por uma margem histórica onde quase sempre foi associado a produto de baixo valor e de menor importância. Essa margem é, no entanto, demarcada por uma visão colonialista onde a estrangeiro tem mais valor. Não queremos negar o valor das técnicas e produtos de outros lugares, mas temos também nossas riquezas.

Temos visto uma tentativa de alguns segmentos da indústria na utilização da produção artesanato como valor agregado a seus produtos. Muitos vêm com a trajetória de pesquisa e valorização do patrimônio e outros vem com a pressão de ter algo novo que seja impossível ser feito pela China. Qualquer uma dessas formas de aproximação com o artesanato pode ser considerada desde que fosse seja feita de uma forma digna.

A indústria da moda é uma indústria, e como em todo segmento industrial para se estabelecer tem que ter informação e conhecimento de mercado. Então estamos falando de empresas que tem informação. Desta forma mais uma vez a pergunta: onde está a responsabilidade social dessas empresas?

Colocar o artesão como único responsável pela não valorização do valor da mão de obra artesanal não é compatível com um segmento que tem informação. Tem informação técnica, mas também tem informação histórica. Claro que o artesão deve sim buscar reverter esse processo de anos de não reconhecimento dos seus valores, mas as empresas comprarem o artesanato a preço a baixo de um valor condizente com o produto oferecido também não ajuda em nada a mudança desse cenário. É como matar a galinha dos ovos de ouro. A indústria não está cuidando daqueles que lhe oferece o tão sonhado diferencial. Até quando vão suportar. Várias técnicas tradicionais estão sendo extintas por falta de compradores justos.

Acompanhamos o trabalho artesanal no Brasil e sabemos da fragilidade dos grupos de produção bem como dos artesãos independentes. Sabemos da limitação dos processos formativos e de repasse de técnica, mas sabemos também das dificuldades em se conseguir a matéria prima e a comercialização justa.

Citamos aqui o caso da indústria da moda motivado pela matéria publicada na Folha de São Paulo do dia 18 de outubro 2015 intitulada:  Protagonistas da moda discutem mão de obra artesanal nos 20 anos de SPFW, esperamos mesmo que essa discussão esteja sendo feita, e que, junto aos protagonistas estejam também os artesãos.

Andreia Costa[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

Protagonistas da moda estão discutindo a produção artesanal, com os artesãos também?

2 ideias sobre “Protagonistas da moda estão discutindo a produção artesanal, com os artesãos também?

  • 19, outubro 2015 em 21:31
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    faço de suas palavras a s minhas palavras. Até quando vamos ser explorados? até quando nós artesãos seremos tratados como mão de obra fácil?, quando será que teremos uma comercialização justa e solidaria? realmente seremos convidados e ouvidos nesta discussão de moda ou é apenas para gringo vê?

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    • 19, outubro 2015 em 21:52
      Permalink

      Ei Claudede, obrigada pela sua presença! e que essa provocação seja motivadora para continuarmos a fazer nossa parte. Os artesãos em se organizar e se capacitar, as instituições em promover as parcerias e as industrias em praticar um comércio justo. Neste processo todos temos responsabilidade e todos podemos ganhar!

      Resposta

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